José Antonio Ortega Ruiz.
25/03/2025
José Antonio Ortega Ruiz: O Guardião do Registro de Imóveis e a Alma Poética do Setor Extrajudicial!
Com 50 anos de experiência, ele viveu a evolução do serviço registral, da datilografia ao digital, e hoje equilibra tradição e modernidade. Fundador da newsletter ‘Milenar Registro de Imóveis’, ele transforma técnica em poesia e defende com paixão o papel social dos cartórios no Brasil!
1. Você tem uma trajetória longa no serviço extrajudicial, desde Amaporã até Santa Isabel do Ivaí. Quais são as maiores lições que essas duas comunidades te ensinaram sobre o papel social do Registro de Imóveis?
R. Na verdade, tive uma iniciação bem antes do Serviço Distrital de Amaporã, pois residia no Distrito de Sumaré-Paranavaí-PR, e aos 12 anos, em 1974, em setembro desse mesmo ano, após terminar o curso de “datilografia”, um amigo da família efetuou um pedido para o Titular da Serventia, que, mesmo tão pequeno e jovem, pudesse iniciar as lides Notariais e Registrais, “para não perder a prática datilográfica, meu grande “diferencial” (rsrsrsrsrs)”. E foi exatamente por conta do Titular desse Serviço Distrital, Carlos Brandalise (saudoso), o qual realizou minha inscrição no 1º Concurso de minha vida, que fui aprovado, assumindo em Amaporã, onde fui Titular por 22 anos, e em 2017 após também, aprovação em concurso público (agora já o 3º) assumi o Registro de Imóveis de Santa Isabel do Ivaí-PR (completados neste Janeiro/25, 8 anos de assunção), onde confesso foram muitas lições, tanto no campo de trabalho, quanto no campo dos atendimentos a serem prestados. Muito diferenciados. E a maior das lições que trago comigo, nessa transição um tanto tumultuada, mas já apascentada, é a DE QUE AMBOS REALIZAM um trabalho e papel fundamental no campo social junto à comunidade reconhecidamente necessários à sociedade Brasileira. Isso é inegável.
José Antonio Ortega Ruiz aos 8 meses, março de 1963
2. Após tantos anos na área, o que ainda te surpreende ou fascina no universo registral? Existe algo que continua te encantando?
R. Não tenhamos dúvidas, que mesmo com tantos “anos de boa caminhada”, tudo me surpreende e fascina nesse universo, e o que continua a me encantar, e faço, como mencionastes em minha apresentação curricular, e também na comunidade, mesmo de “formiguinha”, onde somos “milenares, mas ilustres desconhecidos” (hoje obviamente já nem tanto, pois o trabalho de nossas entidades representativas é fantástico), é divulgar e demonstrar o funcionamento dessa magistral função e de nossas entidades, para que um dia possamos ter um aproximar maior e um entendimento melhor sobre nossas funções, um tanto desconexas no pensamento comunitário. Mas encanta e é desafiador.
3. Ao longo da sua carreira, qual foi o caso ou situação mais desafiadora que enfrentou como registrador e o que aprendeu com essa experiência?
R. Essa palavra DESAFIADORA, parece ser uma constante em minha existência. E a mudança mais marcante foi exatamente essa: TABELIÃO E REGISTRADOR CIVIL, para REGISTRADOR DE IMÓVEIS, que até parecem muito atreladas, mas são muito diferenciadas, em especial para este escriba, que trabalhou o tempo todo com a família, não tive colaboradores, isso me trouxe uma necessidade de buscar rapidamente, modificar meu modo de pensar e agir, onde aprendi a ser confiante nas tomadas de decisões, independentemente do que os outros entenderiam, agindo na forma legal, seria o jeito mais honesto de auxiliar-me e a todos ao meu entorno.
Aos 17 anos, no quintal de sua residência no Sumaré, onde já trabalhava no cartório do distrito
4. Na sua opinião, qual é o maior equívoco que as pessoas têm sobre o trabalho de um registrador de imóveis? Como a comunicação pode ajudar a desconstruir esses mitos?
R. É uma pergunta até que natural ao lê-la, mas que infelizmente, é muito mais real e trabalhosa tratar dessa desconstrução desse mito, onde é na comunicação diária, incansável, que se poderá ter um avançar na vitória. Digo isso, pois incutiu-se já, na mente dos usuários e clientes, que é “tudo um só...é a mesma coisa...etc”, e mesmo com muita explicação e demonstração, alguns não entenderão jamais. E não o digo apenas entre os mais humildes, pois estão nessa condição, graduados e graduandos, profissionais liberais e do direito e outros.
5. Ao olhar para trás, em sua trajetória, qual é o momento que mais simboliza o impacto do seu trabalho na vida das pessoas?
R. Ah, não é só impactante, mas prazeroso, ter até aqui, realizado um bom trabalho, que é reconhecido sim tanto lá no início, em Sumaré, passando por Amaporã, e agora Santa Isabel do Ivaí, saber que fizemos, por, não só usuários, mas também amigos, ou apenas buscadores de informações, pelo carinho dedicado a cada atendimento, fazendo-nos sempre disponíveis e presentes a quem quer que nos procurasse e procurar, inclusive trazendo muitos (pela proximidade das cidades), até aqui para uma visita informal, e até um conselho pessoal de negócios, mesmo estando em outra esfera. É gratificante.
O Cartório de Amaporã – pequeno em tamanho, mas de enorme importância para a comunidade e para a família de José Antonio Ortega Ruiz
6. Com a crescente digitalização dos serviços registrais, como você vê o equilíbrio entre modernização e a manutenção dos valores tradicionais do Registro de Imóveis?
R. Essa modernização é irreversível ou melhor, necessária e já está totalmente inserida em todos os meios, e o Notarial e Registral não seria diferente. Sendo assim, nada mais normal que transformar tudo isso no equilíbrio buscado por todos: manutenção de valores tradicionais com a modernização. Exemplificando: o atendimento humanizado, que é um dos nossos maiores trunfos, mesmo com algumas raras exceções, que trazem um generalizar sem fundamento, em não atender aos usuários e clientes pessoalmente, trazendo um estrago difícil, mas não impossível de corrigir, com a rapidez e modernidade do digital. É fundamental esse focar e realizar, para que facilite nossas atuações.
7. Se pudesse implementar uma mudança significativa no sistema registral brasileiro, qual seria e por quê?
R. Não utilizaria o termo “implementar”, mas sim valorizar ainda mais o critério do atendimento ao usuário, que é nossa missão e mister de maior relevância, haja vista que ser bem atendido e com rapidez, traz um poderio sem precedentes para toda classe, e tudo isso é totalmente passível de ser feito, bem como, entendo ser um grande compromisso para conosco, o analisar e aprovar por nossos Tribunais e o CNJ., uma remuneração adequada, justa, dentro da legalidade, dessa nossa missão, que a cada dia ganha maior visibilidade e maior distribuição de procedimentos pelo judiciário para o extrajudicial, com total competência, conhecimento, profissionalismo e agilidade para tal fim.
José Antonio Ortega Ruiz em sua sala na serventia de Amaporã-PR
8. Você tem quase 10 mil seguidores na sua Newsletter "Milenar Registro de Imóveis" mistura técnica e poesia. Como você encontrou esse equilíbrio entre a objetividade do direito e a subjetividade da escrita?
R. Pois é. Sonho antigo de escrever um livro, mas que não o consegui (ainda). E aí surgiu, numa dessas leituras no linkedln, a possibilidade de narrativas na Newsletter, num assunto que sou fascinado tanto em estudar, ler e compartilhar. E a cada vez que escrevo, não saberia “descrever” as razões desse equilíbrio que dizes e entendo, mas não consigo traduzir. Mas é muito bom esse sentimento.
9. Sua habilidade de escrever poeticamente sobre temas técnicos é única. O que te inspira a usar a poesia para falar de algo tão estruturado como o Registro de Imóveis?
R. A sua gentileza em atribuir-me habilidades, que não as qualificaria, me lisonjeia. Mas ao ler algum texto, tema, artigo, livros que trate de nossa profissão, realmente me empolgo, e começo “do nada”, e acabo tendo que dar um freio para não ultrapassar o limite (rsrsrsrsrs). O Registro de Imóveis, a bem detalhar, já é uma poesia a ser desvendada a cada tema, a cada busca, a cada interpretação, não à toa, é milenar. Talvez esse seja o encanto e como nos faz, a cada registrador, buscar o melhor e o maior aprimoramento.
10. Sua escrita revela uma conexão profunda com o significado humano do Registro de Imóveis. Como você conecta a rotina técnica do cartório com os valores mais amplos de justiça e cidadania?
R. O Doutor Sergio Jacomino, um dos melhores escritores registrais e de temas diversos que já conheci (sou um jovem experiente, mas novato no registro de imóveis rsrsrsrsrs), e que aborda temas inimagináveis, mantem uma coleção de fotos antigas dos antigos notários em suas épocas remotas. Nelas você amolda, apenas no olhar, como é humanizado o trato do notário da época, com seus usuários, pois tudo era feito praticamente numa sala pequena, ou até nas calçadas, conectando o cidadão tanto necessitado, quanto o com maior poderio, ao alcance de seu bem maior, seu imóvel, por intermédio da excelência do atendimento dos “tabelliones e tabularii” (nominados à época). E não há nada mais agradável e gratificante que entregar o documento a qualquer desses usuários, em quaisquer situações, que não chame a atenção para os valores de justiça, cidadania, paz social, humildade e humanidade. É magistral.
O casal José Antonio e Meire em um momento especial de alegria e celebração
Nome Completo: José Antonio Ortega Ruiz
Profissão: Registrador de Imóveis
Data de Nascimento: 09 de junho de 1962
Time do Coração: Santos F.C.
Hobby Preferido: L e i t u r a
Uma Música que Inspira: Please Forgive Me (Bryan Adams)
Um Livro Marcante: São Tomás de Aquino (O Boi Mudo)
Uma Citação Que Te Marca: “A Humildade É O Primeiro Degrau Para A Sabedoria”. (São Tomás De Aquino)
Uma Personalidade Que Você Admira: Dr. Sergio Jacomino
Uma Saudade: Minha Irmã, Sara Jane, Há 7 Anos Falecida.
Redes Sociais: Linkedln https://www.linkedin.com/newsletters/6899422282050347008/ https://www.linkedin.com/in/jose-antonio-ortega-ruiz-6098997b/
"Histórias do Ofício" É uma iniciativa em parceria entre o INR e a jornalista Samila Ariana Machado. A coluna traz entrevistas exclusivas com personalidades do setor notarial e registral do Brasil e do exterior, revelando não apenas suas trajetórias profissionais, mas também seu impacto social e sua essência humana. O projeto conta com o apoio de importantes nomes e instituições do segmento: ICNR — Instituto de Compliance Notarial e Registral, Blog do DG, GADEC Cartórios — Grupo de Alto Desempenho em Estudos de Cartório, Pedro Rocha (Tabelião e Registrador Civil), Rogério Silva (empresário especializado em livros raros, clássicos e antigos), Jornal Diário, Douglas Gavazzi — Advocacia e Consultoria Notarial e Registral, e Estudos Notariais.
Com um olhar sensível e aprofundado, Histórias do Ofício valoriza os profissionais que constroem, com ética e dedicação, o presente e o futuro do serviço extrajudicial.